Dirigido por Caco Souza e estrelado por Mel Lisboa, longa brasileiro questiona os limites entre justiça e vingança através de um protagonismo feminino
Estreou no dia 31 de julho, em mais de 140 salas pelo Brasil, o longa-metragem Atena (2025), dirigido por Caco Souza e distribuído pela A2 Filmes. A produção chega em um momento em que os debates sobre violência contra a mulher e impunidade estão cada vez mais presentes nos noticiários, trazendo à tela uma história que mistura drama, suspense e crítica social.
Uma protagonista movida pelo passado
A trama acompanha Atena (Mel Lisboa), que carrega cicatrizes profundas de uma infância marcada por abusos cometidos pelo próprio pai. Essa dor se transforma em um combustível para que ela crie um grupo clandestino que atrai, captura e pune homens acusados de violência. Mais do que apenas julgá-los, ela deixam uma marca gravada a ferro nos agressores: a palavra “estuprador”.
A rotina de vingança chama a atenção de Carlos (Thiago Fragoso), um jornalista investigativo que percebe a conexão. Paralelamente, Atena começa a relembrar momentos passados quando descobre detalhes sobre o paradeiro de seu pai, desaparecido a anos, e vê a chance de encerrar, de uma vez por todas, o ciclo de violência que assombra sua vida.

Força e fragilidade em cena
O grande destaque do longa é, sem dúvida, a atuação de Mel Lisboa. Sua interpretação de Atena consegue equilibrar força e vulnerabilidade, construindo uma protagonista humana, marcada pelo trauma, mas determinada a não ser definida apenas por ele. A personagem carrega um dilema que atravessa o filme: até onde ir em nome da justiça?
Já Thiago Fragoso, entrega um jornalista engajado, mas limitado, que não tem sua trajetória ou relação com Atena mais explorada, que poderia ter acrescentado camadas importantes à narrativa.
As filmagens em Gramado e Montevidéu, realizadas em meio à pandemia, entregam um visual autêntico, que dialoga com a dureza do tema. A marca a ferro feita nos agressores funciona como metáfora poderosa das cicatrizes invisíveis deixadas nas vítimas, um recurso simbólico que eleva o impacto da narrativa.
Trazer um tema tão sensível pela perspectiva feminina é algo que deveria ser cada vez mais reproduzido, mais do que dar voz a vítima produções como essa, mostram que camadas cada vez mais profundas estão interligadas nesse debate, e a voz feminina precisa e deve ser ouvida.

Atena cumpre o papel de provocar reflexão. Ao tocar em temas delicados como feminicídio, abuso e impunidade, o filme se insere em uma discussão urgente sobre os caminhos que a sociedade oferece — ou não — para mulheres vítimas de violência.
Com elenco experiente e uma premissa ousada, o longa convida o público a refletir sobre os limites entre justiça e vingança, e sobre como a dor pessoal pode moldar escolhas irreversíveis.
+ O diretor Caco Souza conversou com o Cartaze sobre o filme, e você pode conferir os melhores momentos aqui
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