Novo terror da A24 transforma luto e obsessão em uma experiência brutal e inesquecível
Depois do barulho de Fale Comigo (2022), os irmãos Danny e Michael Philippou retornam com um longa tão sombrio quanto — ou até mais — , com uma imersão fria no luto e nas suas distorções. Produzido pela A24 e com Sally Hawkins no centro de um lar adotivo que esconde um ritual macabro, Faça Ela Voltar é um daqueles filmes que apertam o peito e não aliviam até os créditos.
A trama acompanha os meio-irmãos Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong), enviados para a casa de Laura (Hawkins) após a morte do pai. O ambiente, aparentemente acolhedor, inclui outro jovem, Oliver (Jonah Wren Phillips), e regras estranhas que logo apontam para um ritual que promete desfazer a perda a qualquer custo.
A violência como linguagem
Os Phillippou filmam com rigor: cortes secos, efeitos práticos e uma câmera que demora mais no pós-choque do que no susto em si. Não é um filme sobre “assustar a cada cinco minutos”, mas sobre esticar a corda da aflição para que o espectador sinta o peso do que aqueles personagens fariam para negar a ausência. É um filme que exige paciência, mas recompensa quem se entrega ao clima sufocante, o horror aqui não está apenas nos choques visuais, mas no lento declínio psicológico.
Sally Hawkins evita o clichê da “madrasta demoníaca” e dá a Laura um centro de gravidade quebrado, quase piedoso, que torna o terror mais real e cruel. Billy Barratt sustenta o arco de Andy com uma mistura convincente de fragilidade e obstinação, sem falar dos iniciantes Sora e Jonah, que entregam atuações impecáveis e alguns dos melhores momentos do longa.

Horror do luto
Se Fale Comigo tratava de contato com o além como experiência juvenil, Faça Ela Voltar transforma o luto em motor narrativo e em ética do horror: a vontade de corrigir a realidade abre a porta para atitudes demoníacas. Sem falar que casa é personagem: corredores estreitos, texturas e uma estética que trabalha o sussurro, o eco e o silêncio como presságios.
Para alguns trata-se de um dos filmes mais ousados do ano, competindo de frente com grandes lançamentos como Until Dawn (2025), A Hora do Mal (2025) e o próximo a ser lançado Invocação do Mal 4. Para outros a produção pode entregar um ritmo lento ou perturbador demais, e isso reforça o quão marcante o longa pode ser, é um filme difícil de digerir e impossível de esquecer certas cenas por alguns dias.
Faça Ela Voltar é um terror de trauma que vai além do rótulo: usa o luto como lente para discutir até onde um amor pode ir quando troca aceitação por controle. Rigoroso, incômodo e emocionalmente devastador, confirma os Phillippou como grandes nomes do terror, com uma produção intensa e coesa, sem grandes apelações ao jumpscare como vemos em tantas outras produções do gênero.
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