A Cia do Sopro aborda no palco a comum aceitação da brutalidade e a dor da herança patriarcal
Como Todos os Atos Humanos não é uma peça feita para causar conforto em seus espectadores. A interpretação visceral da atriz, sozinha no palco, traz muitos momentos de aflição e reflexão.
Conheça a peça
Com inspiração descontextualizada em Electra e a partir das obras de Marina Colasanti, Nelson Coelho e Giorgio Manganelli, a peça apresenta uma protagonista que mata o próprio pai furando os seus olhos como forma de libertação.
Essa mulher expõe as dores de crescer sendo uma “filha inexistente”, revelando camadas profundas sobre violência, silenciamento e existência feminina. A peça traz também uma crítica forte ao patriarcado e à forma como a sociedade molda e domina os corpos e as vidas femininas.
Essa jornada é construída de maneira intimista no auditório do Sesc Pinheiros. Como mencionado anteriormente, a interpretação da atriz Fani Feldman, sob a direção de Rui Ricardo Diaz, faz com que nos inquietemos nas cadeiras, buscando entender e assimilar os sentimentos que ela transmite ao longo do desempenho.
Ao final da história, parece fazer sentido que a única saída possível para aquela personagem tenha sido um “parricídio ocular”.

Do laboratório dramático do ator até o nascimento dolorosamente necessário
A atriz passou por um extenso trabalho de construção da personagem em conjunto com a Cia do Sopro e, aos poucos, essa figura ganhou vida própria, até poder disparar no palco toda essa carga que vem da alma.
A iluminação e a trilha sonora se unificam ao corpo presente da atriz e nos levam a um realismo fantástico intenso.
Como Todos os Atos Humanos é uma peça que exige que o espectador viva a experiência para tirar suas próprias conclusões. Fica a dica para assistir a essa montagem, que estará em cartaz até o dia 21 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h30, no Sesc Pinheiros.
Confira mais detalhes em https://www.sescsp.org.br/programacao/como-todos-os-atos-humanos/
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